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quinta-feira, 27 de junho de 2019

A VIDA DE JESUS CRISTO E SUA TRAJETÓRIA

A VIDA DE JESUS.
Quando buscamos conhecer a história de Jesus de Nazaré, devemos primeiro buscar o tema central na Bíblia Sagrada, pois Jesus está feito revelação na Palavra que transforma e salva, a história e assim faz parte do conhecimento e podemos fortalecer a fé através da oração no Senhor “O Filho de Deus”
RESUMO
A historicidade de Jesus, assim a única fonte para estabelecer-se uma vida de Cristo é o Novo Testamento, sobretudo os quatros Evangelhos, os Atos dos Apóstolos e as Cartas de Paulo. Os autores desses escritos foram discípulos e contemporâneos de Jesus Cristo. Há controvérsia sobre o valor histórico do Novo Testamento, formado de escritores religiosos.
A controvérsia surgiu no século 17 e se intensificou no século 19, com o racionalismo alemão de Ebrard e Reuss. Seguiram-se Herder, Eichorn e Paulus que, negando o sobrenatural, procuraram limitar-se aos elementos puramente naturais da narração. Tentando superar essa interpretação, que mutila os documentos não levando em conta a maior parte de seu conteúdo.
Strauss apresentou a teoria mitológica, discernindo e separando nos Evangelhos o Jesus mítico do Jesus histórico. Mas como Celso e Flavio José, adversários do cristianismo nos primeiros séculos, os racionalistas jamais negaram o foto da existência de Cristo. As recentes discussões entre Bulltmann e Karl Jaspers, sobre a realidade do mito, dão à discussão maior profundidade e complexidade. Para  estabelecer a historicidade de Virgilio, Cícero, Cesar, dispondos de manuscritos  cuja data original  dista séculos da época em que viveram esses personagens.
Em relação a Jesus, os manuscritos são quase contemporâneos. Existem pequenas discordâncias entre os autores evangélicos. Tais discrepâncias e a rejeição pela comunidade primitiva de muitos evangelhos detalhistas e apócrifos corroboram a fidelidade dos discípulos ao fato histórico. Jesus existiu, e, como é natural, foi visto de mais de um angulo por mais de um discípulo.

A VIDA DE JESUS.

JESUS Nasceu em Belém de Judá, seus pais foram José e Maria, José era descendente da família real de Davi, e Maria, também da estirpe real de Davi Os apóstolos evangelistas Mateus e Lucas dão sua genealogia conforme reveladas nos evangelhos sinóticos. Mateus incluiu a presença de duas ligações ilegítimas na linhagem de Cristo: Judá, o filho de Jacó, com Tamar (Gn 38), Davi com a mulher de seu general Urias (2 Sm 11)

José e Maria moravam em Nazaré e haviam ido a Belém para o censo decretado pelo imperador romano Augusto, eles não encontrando hospedaria na cidade, refugiaram-se em uma gruta - estribaria, onde nasceu Jesus. Pastores da região e príncipes do Oriente reconheceram na criança o Messias esperado. O casal fugiu para o Egito. Herodes, informado da impressão causada pelo nascimento de Jesus, ordenou a matança das crianças de Belém e arredores (Mt 2.16).

Depois da morte de Herodes, José e Maria regressaram do Egito e passaram morar em Nazaré, onde aquele era carpinteiro. Ali viveu Jesus. No período de vida oculta – do nascimento a vida publica – apenas sabemos que Jesus esteve em Jerusalém para ser circuncidado e sua mãe purificada (Lc 2.21-22) e, todos os anos, para a festa da Páscoa (Lc 2.41).
Aos 12 anos de idade, em uma dessas visitas a Jerusalém, Jesus deslumbrou os doutores do Templo pela sua interpretação das Escrituras. No ano 15 do reinado de Tibério, Jesus reapareceu para ser batizado por João Batista. Após um período de escassez no deserto, vemó-lo explicando as Escrituras na sinagoga de sua cidade Nazaré, na Galileia (Lc 4.14), e iniciando pregação e afirmação de poderes extraordinários que arrastavam multidões. Dali passou à Judéia, à Samaria, a Jerusalém.

Tornou-se famoso pelo estilo oratório simples e incisivo, pela suave força de sua doutrina quanto às relações com Deus (Mt 6.9) e os semelhantes, pela fraternidade universal, pelas reações contra o sectarismo e o ritualismo dos fariseus e sacerdotes (Mt 23.13), e, finalmente pela exaltação dos humildes, dos mansos e dos pobres (Mt 5., pelo caráter universal da religião que pregava. Mais ou menos aos 33 anos foi acusado de subverter a lei religiosa, e a ordem política da Judéia.

 Traído por Judas Iscariotes, seu discípulo, foi preso no Jardim das Oliveiras após haver celebrado a Ceia Pascoal com os discípulos. Entregue ao Sinédrio, passou uma noite de humilhações, flagelos e pancadas, sendo a seguir levado ao governador romano Pôncio Pilatos, que remeteu ao Rei Herodes. Este devolveu de novo a Pilatos que, julgando-o inocentou e inócuo ao Império Romano, pensou apaziguar o povo romano irado com um simples castigo de açoites. Mas o povo, açulado pelos sacerdotes, gritou que crucificassem e preferiu a liberdade do ladrão Barrabás à libertação de Jesus. Cristo foi crucificado entre dois ladrões no Monte Gólgota, também denominado Calvário. As passagens do Novo testamento que se referem à paixão de Cristo são geralmente lidas em paralelo com o capitulo 53 de Isaias.

Mesmo considerando sua história até este ponto, Jesus não pode ser confundido com os profetas que surgiram em Israel como fenômenos crônicos. Basta que se compare o conteúdo de sua mensagem, acima do que havia de mais respeitado em Israel, a Lei de Moisés e os profetas (Lc 24.44).
Contrariando todas as tendências de seu povo e do mimetismo religioso, ele se identifica com Deus (Lc 22.69). A diferença entre Cristo e os fundadores de religiões, Buda, Maomé e todos os demais, é que ele é simultaneamente revelador e a revelação de Deus. A fé se coloca em termos pessoais entre cada individuo e ele, aceitando-o ou recusando-o (Jo 3.18,36; 12.48).
Os Evangelhos e as Epístolas não encerram a vida de Jesus com a crucificação. 3 dias após seu sepultamento, seus discípulos, mulheres e homens amedrontados declararam havê-lo visto, de inicio aqui e ali, depois durante 40 dias de maneira contínua, até sua ascensão aos céus.

É este o ponto central do cristianismo, sem o qual se torna inútil e vão como declara Paulo em sua primeira carta aos Coríntios (1Co 15.14). Todos os historiadores concordam que os primeiros cristãos acreditaram na sobrevivência gloriosa de Jesus. Divergem quanto à origem dessa criança. Para Ramires (1777) foi má fé dos discípulos que roubaram o cadáver.

Para Salomão Reinach foi a contaminação de fatores não-cristãos, como a ressurreição dos deuses e o culto dos heróis. Teríamos então uma exacerbação do messianismo judeu. Os apóstolos precisaram desenvolver um objeto de culto, fazer com que o Jesus terrestre, que eles admiravam, ressuscitasse o Jesus da fé.
Os cristãos católicos, ortodoxos e evangélicos, colocam na origem dessa crença uma intervenção objetiva e não apenas subjetiva. O dogma católico diz que a ressurreição de Cristo não deve ser considerada como simples mistério de fé nem como a reanimação de um cadáver, mas como mistério e fato histórico.

Há uma grande diferença, desta vez para o inverso, entre os evangelhos apócrifos e os Evangelhos a respeito da ressurreição: os sinóticos e o Evangelho de João apresentam a crença como baseada em fatos negativos como as aparições, que são distintas de visões.
Não são apresentados argumentos, mas testemunhas (At. 2.32; 3.15), que são apenas os seus seguidores. É, de novo, um problema de aceitação pessoal, um problema de fé. A história de Jesus Cristo, e todas as suas conseqüências, prolongam a questão persistente nos Evangelhos: “Quem pensam que eu sou?” (Mc 8.27).

E ele dá a resposta na perspectiva do problema psicológico humano da salvação: aceitá-lo ou negá-lo é optar definitivamente (Mt 10.33; Jo 14.8-9). Respondendo à pergunta de quem era Jesus, os Evangelhos apresentam expressões que outros lhe aplicaram e as aceitou: Messias, Eleito, Filho de Davi; expressões com que ele mesmo se designou: Filho de Deus e Filho do Homem; e expressões dele e de outros a seu próprio respeito.
Todos esses termos devem ser entendidos de acordo com o sentido histórico. Messias não é um termo técnico do Antigo Testamento, aplicando-se ao povo todo como nação ungida, reino sacerdotal. Mas, na época de Jesus, em que o povo vivia sob o jugo romano, o termo tinha a conotação que hoje lhe damos de Libertador. “O mesmo se pode afirmar dos termos “Diletos” “O Eleito” (Lc 9.35; 23.35) e Filho de Davi”.

Jesus teve profunda concepção da paternidade divina, entendia a Deus como Pai (17 vezes no sermão da montanha, 107 vezes no Evangelho de João). Daí o termo “Filho de Deus” revestir-se de particular importância, sobretudo porque ele distingue sua filiação da dos discípulos (Mt 11.27; Mt 6.9). O termo “Filho do Homem” refere-se a uma passagem de contexto messiânico (Dn 7.13). A expressão aparece 14 vezes em Marcos; 9 vezes em Mateus; 8 vezes em Lucas e 12 vezes em João e mais freqüentemente em sentido escatológico, ou seja com sentido referente ao fim do mundo. Parece ter sido o termo preferido por Jesus pelo seu sentido misterioso.
 Outras expressões aplicadas a Jesus nos Atos dos Apóstolos 8.10, na 1ª Carta aos Coríntios 1.24,30, como “Poder e Sabedoria de Deus” é de inspiração sapiencial como se ver nos Provérbios 3.22-31. “Último Adão” (Rm 5.12-21) é uma antítese que daria sentido ao episodio da tentação de Jesus no deserto, como Adão fora tentado no Paraíso, “Primogênito” (Rm 8.29; Ap 1.4) indica ser Jesus a síntese do universo criado (Cl 1.15-15). “Ressurreição e Vida” (Jo 11.25) “Caminho, Verdade e Vida” (Jo 14.6) em correlação com a via de acesso ao Pai (Ef 2.18; Hb 10.19).
A expressão lembra os ditos de Philo sobre o caminho real da sabedoria. Mas aqui o caminho não é uma doutrina, é uma pessoa. “Porta” “é uma expressão antiga como Gênesis (Gn 28.17) e aparece em parábolas e ditos de Jesus (Lc 23.24), Pão de vida” é termo tão antigo como quanto “maná” (Ex 16.1-36)Tem o significado de assimilação da sabedoria como se pode ver comparando Isaias 25.6 e o capitulo 6 de João sobre a multiplicação dos pães. “Irradiação da Glória Divina” (Hb 1.3) seria uma expressão de origem alexandrina que se encontra em Philo aplicada à sabedoria.
A luz do Antigo Testamento o termo assume conotação de transcendência divina como no Êx 14.16 “Luz do Mundo” (Jo 8.12) é uma ideia de origem grega, lembrando a gnose com o seu combate entre luz e trevas, tema da 1ª Carta de João 2.8, mas também presente no Antigo Testamento (Is 42.6) “Imagem de Deus”, “Cabeça do Corpo” místico: Cristo é a cabeça da comunidade dos fiéis (igreja) (Cl 1.18)


BIBLIOGRAFIA – ENCICLOPÉDIA BRITÂNICA BARSA
Albert Schweitzer, A. Busca do Jesus Histórico (1910),
E. Renan, Vida de Jesus (1863)
Daniel Rops, Jesus em Seu Tempo (1956)
l. de Grandmaison,Jesus Cristo (1930-35)
Giovanni Papini, Vida de Jesus (1921);
E.J. Goodspeed, A Vida de Jesus (1950)
S.J. Case, Jesus Uma Nova Biografia (1927)
John Knox, O Homem Jesus Cristo (1941) – (J.T.L)




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